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UM ANJO ME OFERECEU SEUS CABELOS

29.01.2016

Eu sei que prometi falar das pessoas que conheci na químio, mas tem uma história linda que também quero contar neste post e é por ela que vou começar.

Outro dia, postei uma foto com um lenço amarrado como turbante. Foi um sucesso! O pessoal adorou. E sabe que eu também?

De repente, entre tantos comentários, veio um que me emocionou profundamente! A pessoa perguntava se eu queria que ela cortasse os cabelos para que eu fizesse uma peruca. Adivinhem quem era? Nada mais, nada menos, do que aquele anjo em forma de mulher que veio me trazer o Anjo do Bem, a pedido do Odilon Araújo. Um anjo chamado Mariah Rodak!

Não, não a vi além daquele dia. Não frequentamos a casa uma da outra. Não temos uma relação de convivência estabelecida.

Mesmo assim, ela me ofereceu aqueles lindos cabelos ruivos.

Olha o tamanho do coração e o desapego de vaidades dessa mulher linda!

Obrigada, Mariah Rodak!!

Mas, prefiro que seus cabelos lindos continuem compondo esse seu estilo angelical. Você vai morar pra sempre no meu coração!

 

E agora vamos às histórias do dia da químio. 

Estávamos, eu e a Rosângela, na sala de espera aguardando o resultado do meu exame de sangue ( esse exame iria indicar se minhas defesas estavam altas e se eu poderia receber a químio). Eis que começou a dar fome. Decidimos tomar um café assim que descobrimos uma máquina no canto da sala. 

Estávamos nos atrapalhando quando uma moça de cabelos compridos decidiu nos socorrer. A moça, não muito alta, bem jovem e bonita, explicou como deveríamos fazer e já engatamos uma conversa.

Não lembro exatamente como entramos no assunto, mas ela me contou que fazia químio para tratar um Lúpus muito agressivo. Já tinha estado cinco vezes numa Unidade de Terapia Intendiva quase sem vida. Comentei da importância da alto estima e do bem estar psicológico no combate ao Lúpus (doença autoimune) e ela disse que sabia mas que os últimos tempos não estavam sendo fáceis.

Resumindo. Depois da doença ter se manifestado e já ter tido crises gravíssimas, ela descobriu estar grávida, aos cinco meses de gestação. Como tomava remédios fortes, o bebê teve má formação e assim que nasceu, precisou de cirurgia e passou pouco mais de 40 dias da UTI. Infelizmente, a criança não resistiu. 

Como se eu e a Rô não estivessemos suficientemente chocadas, a moça nos contou ainda que depois disso havia se separado e que estava longe da família que é de Minas Gerais. Mesmo assim, não deixou de lutar na justiça pelo direito de tratar o Lúpus com quimioterapia ( no Brasil esse tratamento para Lúpus ainda não é comum). 

E o mais lindo: mesmo diante de todas as dificuldades, aquela jovem conserva a doçura!

 

Pouco antes dessa conversa eu tinha reparado ( e todos na sala de espera) em uma moça magra, de camiseta branca, jeans, salto, óculos tipo aviador e careca, que estava por ali. Quando fui chamada para trocar o curativo do meu catéter, coincidentemente, essa moça - cheia de atitude - sentou ao meu lado na sala da enfermagem. Começamos a conversar sobre o catéter ( ela usa faz dois meses) quando ela perguntou a respeito do meu tipo de câncer. Respondi que era o de mama e devolvi a pergunta. A surpresa! o câncer da moça (que depois descobri se chamar "Gi") é de nariz! É interno. Explicou que o tumor pressionou tanto o olho esquerdo que o olho havia caído e ela ficou igual ao "Serveró"! Falou tudo com tranquilidade que me deixou admirada! e disse  que agora estava muito melhor. Sem titubear, levantou o óculos e me mostrou o rosto.

Falamos sobre alta estima e ela me deu um banho justamente de ALTÍSSIMA estima, alto astral, atitude e segurança. E olha que descobriu o câncer quando o bebezinho dela tinha dois meses, poderia ter se desesperado, vivido a cada momento como um grande drama, mas preferiu olhar como só mais uma pedra no caminho a ser transposta.

 

Por essas duas mulheres  só posso sentir muita admiração. 

Penso nelas todos os dias e procuro emitir energias muito positivas para as duas. Mulheres que enfrentam dramas reais e difíceis, cada uma a sua maneira, uma com doçura, outra com alto astral.

Não sei para vocês, mas foi uma grande lição pra mim!

No próximo post quero escrever mais sobre as reações à químio, que vão muito além do enjôo. Quero abordar também a questão dos direitos de pacientes com câncer. Você conhece quais são? Pois é, eu ainda não conheço todos também!! até lá!!!!

 

 

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