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Por que devo pensar na morte?

07.05.2017

  

Quando decidi me dedicar a escrever sobre câncer, fazer campanhas para pacientes, e criar uma rede de relacionamentos ao redor dessa doença, quis - principalmente - mostrar que o câncer tem tratamento e pode ser vencido, em grande parte dos casos.

Mas, sabia também que teria de conviver com a morte, com uma freqüência maior do que estava acostumada ( até receber meu diagnóstico e ficar sabendo que a danada andava me rondando, rssss).

De lá pra cá, vi um grande número de pacientes dando um nó no câncer e mandando a morte láááá pro futuro. Mas também vi pessoas partirem por causa dela. Algumas já tinham vivido uma longa e linda vida, como minhas queridas Dona Gemma e Dona Ilda, com as quais tive o prazer de conviver alguns dos seus mais de 80 anos.

Senti ter convivido tão pouco com minha querida amiga Gi, que tinha menos de 40 anos. E esta semana, vi partir a Renatinha, 31 anos, que conheci  no dia em que lançamos o Varal de Lenços no HC e que, mais tarde, a Juliana Mundim fotografaria para seus lindo Projeto Afagos. Porém, agradeço ter tido a oportunidade de conhecer essas pessoas! É nisso o que mais procuro pensar.

​​

 

Não é fácil ver as pessoas partirem.

Outro dia, preparando uma palestra sobre felicidade, lembrei do exemplo do Butão, país asiático, onde existe o Ministério da Felicidade. Lá, mais de 80% da população se declara feliz ou muito feliz. Busquei saber os motivos pra isso. Bem, as pessoas se sentem atendidas em suas necessidades básicas, escola, saúde, alimentação e moradia. Muito bacana, mas não me convenci!

Numa outra busca, li o relato de um viajante que contava sobre sua visita ao Butão e sobre uma conversa com um homem sábio. O homem disse a ele que seu povo é feliz porque não teme a morte. E, para perderem esse medo, pensam várias vezes por dia no assunto.

 

Fiquei imaginando como seria passar meu dia pensando que a morte pode ser amanhã, daqui a pouco, sei lá... logo. E lembrei do que Steve Jobs disse uma vez. O grande homem da MAC aprendeu, aos 17 anos, que deveria encarar cada dia como o último de sua vida.

Sabe por que? Porque, assim, daria valor ao que era importante, faria aquilo que acreditava que devesse fazer  e daria valor às pessoas que amava.

Também lembrei da palestra de Roberto Shinyashik quando disse que, entre doentes terminais o maior arrependimento era pelo que não tinham feito.

 

Quer saber porque estou escrevendo sobre esse assunto? É porque aprendi - não aos 17 anos como Steve Jobs, infelizmente - que, ser feliz depende de como eu encaro a  VIDA. De como eu me relaciono com as pessoas e com os meus sonhos. Ser feliz, depende do quanto eu me proponho a me manter assim, mesmo diante da adversidade. Porque ser feliz quando tudo vai bem é fácil. Agora, manter o espírito alegre, mesmo diante dos desafios da vida,  isso é para quem se esforça em manter os pensamentos positivos.

Deste modo, tenho enfrentado as partidas com serenidade, sem que o medo ou o pessimismo me paralisem ou me deixem amarga. Aprendi, também,  que agradecer a cada manhã pelo dia e a cada noite, que tenho o privilégio de viver ( com ou sem dificuldades), ajuda a tornar a jornada mais leve. Assim como, ter consciência  da finitude pode nos servir de

 

alavanca ( afinal, não há tempo a perder com coisas pequenas) na direção do bem, do otimismo e dos nossos sonhos.

 

Vamos em frente!

 

 

 

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