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Cai a cortina, sobe a indignação!

DESABAFO!

Os últimos dias me trouxeram notícias que resultaram numa onda de tristeza e revolta! Soube da falta de estrutura em vários hospitais aqui do estado, assisti com lágrimas a reportagem que mostrava  funcionários e um paciente do HC denunciando o adiamento de cirurgias por falta de material! 

Quem tem câncer tem pressa. Quem tem câncer, corre contra o tempo! Meu Deus!  Este ano foram várias as denúncias de falta de material e medicamentos no HC. E o mais incrível é que todas foram justificadas como casos pontuais!!

 

Porém, a semana terminou com uma situação cruel demais, ocorrida num outro hospital público, da Região Metropolitana. Não posso citar nomes aqui, porque não tenho autorização. Mas o caso é verídico e chegou até mim através do Grupo Anjos sem Asas.

Uma jovem de 30 anos que, faz poucos meses, descobriu vários pontos de metástase pelo corpo, inclusive no cérebro. O exame que revelou a metástase foi feito na rede particular, por doação de uma clínica, porque a família não tinha como pagar e ela não poderia esperar muito.

Os médicos decidiram operar o cérebro, no mês passado, e recomeçar a quimioterapia. Depois da segunda sessão de químio, num organismo já debilitado pela doença e pela cirurgia, as reações foram violentas. 

A imunidade caiu demais! Por conta disso, a boca e a garganta se encheram de feridas, tornando a alimentação impossível e piorando as defesas da moça.

 

A mãe a levou ao hospital. Disseram que precisariam interná-la, mas não tinham vaga. Inconformada, a mãe não sossegou até que conseguiu o internamento. 

Sem leito disponível, viu a filha ser acomodada na parte inferior de uma bicama. Sem condições de ter um acompanhante e dormindo, praticamente,  no chão.

A paciente com uma cicatriz recente, defesas fracas, ficou debaixo da lixeira de descarte de material hospitalar e ali mesmo  passou por uma transfusão de sangue. Teve uma reação ao procedimento. Teve de tomar uma injeção que a fez gritar de dor. 

Dois dias depois de chegar ao hospital, foi mandada pra casa, mesmo sem conseguir se alimentar, com feridas por várias partes do corpo, olhos e pele amarelados e um inchaço assustador.

Mas o pior, sem qualquer orientação para a família sobre os cuidados necessários. Foi praticamente "despejada" do hospital. O médico  responsável pelo caso dela sequer foi acompanhar a alta...

Dá pra imaginar?

 

A mãe pediu orações pelo grupo dos Anjos sem Asas, no whatsapp. Imediatamente as mulheres começaram a se mobilizar.

A família  é muito simples. O pai da moça está desempregado. Ela não está trabalhando. A mãe passa o dia a cuidar da filha. Ou seja, para piorar tudo, a situação financeira é delicadíssima.

 

Na sexta, dois  "Anjos sem Asas" ( a Rosangela Capri e a Fabiana de Palma) foram vê-la. A jovem estava com febre e muito inchada, dizendo que já pensava em desistir!

Fizeram compressas, massagem, deram carinho, atenção e voltaram pra casa assustadas! Retornaram no sábado pela manhã, desta vez com doações de alimentos, produtos de higiene e limpeza.  

 

À tarde, eu e uma amiga também fomos vê-la.

Ainda estava com muita dificuldade para se alimentar, muitas feridas pela boca, garganta e genitais, além de manchas roxas pelo corpo. Pernas e pés muito inchados, fazendo inalação para tosse (o médico do hospital disse que ela estava com pneumonia).

Mas, a medida que fomos conversando, ela foi ganhando cor nas bochechas e  até conseguiu sorrir, ao lembrar das visitas e do carinho que recebeu das amigas.

 

Sabe do que aquela moça precisava, além de medicamentos? precisava  de algumas doses de quimioterapia do amor! Precisava perceber que alguém se preocupava com ela e com a família.

A experiência do hospital havia tirado dela a dignidade e as esperanças. Mas a solidariedade de outras mulheres em tratamento, como ela, teve um efeito suavizador. 

 

Não consigo parar de pensar que, enquanto falta humanidade - para alguns profissionais de saúde  - e estrutura nos hospitais públicos, tem gente que desvia milhões para benefício próprio!

Agradeço a Deus pelos bons médicos e enfermeiros que ainda restam. Pelas pessoas de bom coração que se preocupam com os seres humanos.

Ainda assim, não consigo deixar de me revoltar com histórias como esta!

Parabéns, Anjos sem Asas! Vocês estão sendo anjos de verdade na vida dessa moça e da família dela.

 

 

 

 

 

 

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