Since 2015 | Todos os textos e imagens foram produzidos por Vanusa Vicelli e/ou Jucienne S R Camilotti, exceto quando sinalizado. | Todos os direito reservados. Proibido divulgação sem autorização.

Aceitação não é imobilidade

Nas últimas semanas tenho acompanhado histórias de mulheres que descobriram o câncer há pouco tempo e que estão começando a experimentar os efeitos das primeiras quimioterapias. Ao mesmo tempo, acompanho algumas que tiveram recidivas ou um segundo câncer. Vejo que, quem aceita a situação, enfrenta muito melhor e chega mais inteira ao fim do tratamento.

 

Percebo que as mais jovens tem mais dificuldade pra isso. Mais dificuldades até do que aquelas que estão  enfrentando a doença pela segunda vez. Claro que é difícil, muito difícil, sim! Ninguém quer ter uma doença grave, ninguém quer perder os cabelos, ou ver as unhas ficando roxas doloridas e ocas, ninguém quer experimentar o cansaço que a quimioterapia e a radioterapia provocam, ou as dores decorrentes do tratamento.

 

Não, ninguém quer nada disso.

 

Mas, algo que nos ajuda a enfrentar cada obstáculo que surge na vida, seja pelo câncer ou por qualquer outro motivo, é a aceitação. Já escrevi isso em vários posts, porque vivi essa situação. Já tive desafios que não aceitei e que foram muito dolorosos.  Ao longo de quase três anos, venho observando pessoas resistindo e pessoas aceitando os seus desafios de vida.

 

Calma, não tire aí conclusões precipitadas. Não estou dizendo que a pessoa não pode chorar, ficar chateada num primeiro momento. Claro que pode! Mas, passado aquele instante, é hora de lavar o rosto, endireitar os ombros, olhar pra frente e se perguntar, " o que vou fazer com isso"?

Será que vou me colocar no papel de vítima, aquele que sofre a ação de terceiros? Ou será que vou ser protagonista da ação, em busca de algo melhor?

 

Será que vou fazer caminhadas pra diminuir a reação à quimioterapia, vou me alimentar de modo a reduzir a náusea, vou descansar algumas horas a mais no dia, mas nas outras serei ativa, será que vou aceitar minha careca e disfarça-la com lenços e chapéus (caso não queira ostentá-la por aí)... ou será que vou me ver como uma pobre sofredora, vou me esconder dentro do meu sofrimento e vou esperar tudo isso passar?

 

Na semana passada, escrevi sobre a Cassiana e a recidiva de um câncer agressivo, dando uma ideia de como ela lidou com isso. Sim, logo de cara ela se revoltou, pra  depois decidir o que fazer e ir em busca de todas as coisas que estavam ao alcance dela, para melhorar. E de lá pra cá, neste ring contra o câncer, venceu  em todos os rounds.

 

Hoje, vou falar da Sheyla Manke. Uma mulher linda, de um sorriso contagiante. Eu a conheci, pessoalmente, pouco antes do outubro rosa do ano passado, numa exposição lá no MON.  Dentista, de Santa Catarina, veio pra cá para ser paciente do mesmo médico que eu, o mastologista Cleverton Spautz, e da mesma oncologista clínica, Débora Gagliato. (Não preciso nem dizer que está em ótimas mãos, né?!).

 

Bem, fez todo tratamento com esse sorriso lindo aí da foto e com uma energia invejável. Enfrentou a cirurgia do mesmo modo. Há poucos meses, descobriu que um novo nódulo havia aparecido e que precisaria passar por outro procedimento. Eu a vi um dia antes e uns dois dias depois... adivinhem como ela estava?

 

Sorridente, ué! rsss

 

Na semana passada, mais uma cirurgia para começar o processo da reconstrução mamária, e das grandes, viu?! Sábado fui visitá-la, na casa da  Ju e do Rodrigo, irmã e cunhado ( ele, coincidentemente, um amigo aqui e casa desde que  era solteiro).

 

Nem preciso dizer como eu a encontrei, né?

Sorridente, cheia de energia, só reclamou um pouquinho do incômodo que os dois drenos causava

 

O que faz essas pessoas vencedoras não é apenas o fato de que dão uma bela rasteira no câncer. Mas, é a maneira como elas aceitam o desafio que a vida lhes coloca a frente. Elas não perdem tempo se lamentando. Vão em busca de tudo que é possível fazer, e vão com uma disposição interna incrível. 

 

Ah, mas elas, ou tem plano de saúde ou puderam pagar pelo tratamento! Então, deixa eu contar da Edna Ramos? Ela fez o tratamento todo pelo SUS, mais foi buscar apoio da Associação das Amigas da Mama aqui de Curitiba. Fez o possível pra enfrentar tudo do melhor modo. A disposição dela é linda! Além de se cuidar, ela ajuda outras mulheres, hoje é uma das voluntárias lá da AAMA. Adoro a energia da Edna e sentir o tamanho daquele coração distribuindo em sorrisos, muita quimioterapia do amor.

(A foto aí de cima é pra dizer que temos de arregaçar as mangas!)

 

Eu poderia dar muitos outros exemplos. Falar de pessoas que hoje seguem tratamentos paliativos, tentando ganhar tempo sobre a doença até que apareça algo novo que as façam viver mais. Gente que entendeu que viver, não é fazer muitos aniversários. Viver é saber o que é importante na vida e aproveitar cada detalhe!

 

E  eu ainda diria o seguinte, de que adianta viver 100 anos reclamando, se vitimizando, se destruindo, deixando passar os melhores momentos? Eu prefiro viver a metade disso, vibrando com cada dia que me é concedido, levantando depois de cada tropeço - mesmo que o joelho esteja esfolado (rssss) - lutando pra viver melhor,  enxergando as oportunidades que surgirem nas adversidades e agradecendo por isso!

 

Uma boa semana a todos e até o próximo post! beijo

 

 

 

 

Please reload

Destaque

Uma outra Perspectiva para a Cura - Parte III

November 4, 2019

1/7
Please reload

Siga, Curta e Compartilhe
  • Facebook ícone social
Ultimos posts

September 23, 2019

July 13, 2019

Please reload