O Mal que fazemos a nós mesmos



Na foto eu sou a menininha da esquerda, em frente à minha avó e ao lado da minha irmã, Sandra, que completava 10 anos. Sim, morei em casa de madeira, minha avó era polaca e meu pai é mais baixinho que minha mãe! rsss ah, e eu sou a caçula e tinha seis anos na foto!


Quando era adolescente, lá com uns 13, 14 anos, eu me achava gordinha e grande demais. Sim, todas as minhas amigas eram mais baixas, usavam numeração de sapato bem menor que a minha, tinham mãos pequenas, corpo mais esguio... Já eu, calço 39 desde cedo, meu corpo ganhou curvas também bem cedo e meu quadril logo ficou largo. Minha altura é a mesma desde o início da adolescência, 1,72 cm.

Agora pasmem: eu não era gordinha! Tinha sim, o rosto arredondado de menina, o quadril grande, coxas grossas! mas hoje, vendo as fotografias, vejo que eu era já naquele tempo, o que se poderia chamar de "mulherão".

Na foto aos 32 anos, com meus colegas de trabalho da época!

(Eu sou essa de calça e camisa jeans à esquerda, logo após ter meu primeiro filho - eu me achava enooormeee depois de ter engordado 20 kg na gravidez).


É estranho, porque minhas características poderiam "jogar" a meu favor, mas eu não enxergava assim! Os meninos da minha idade nunca se aproximavam, só os beeeeem mais velhos ( quando falo beeem, é beeem mesmo. Quando eu tinha 15 anos um cara de 30 pegou no meu pé na praia!!! kkkk). Hoje me parece óbvio que eu parecia mais velha.


Um dia, o irmão (mais velho) de uma amiga me disse assim," você não tem ideia do seu poder"! rssss achei que ele estava vendo em mim alguma bruxinha, dotada de algum poder mágico que até eu desconhecia!


Essa minha dificuldade em aceitar meu corpo me levou a (com 14, 15 anos) tomar remédio para emagrecer. Na época, isso era bem comum. Estávamos nos anos 80, início do culto à magreza. Uma amiga da minha mãe consultava com um médico, também amigo dos meus pais, e ele mandava as fórmulas pra mim. Eu sequer precisa ir às consultas.


Hoje, sei que aquelas cápsulas eram recheadas de anfetaminas! Imaginem só!

Era droga!

Não lembro por quanto tempo usei esses remédios, acho que por uns três ou quatro meses. Pouco tempo depois e sem medicação alguma, eu cheguei aos 57 quilos. Estava no meu pré-vestibular, estudava muito e não fazia nenhum regime rigoroso. Anos mais tarde, na época da faculdade, eu ganhei peso. Cheguei aos 83kg.

Recorri àquilo que conhecia, fui ao médico. Um famoso, que me receitou uma medicação... e o que era? mais um composto à base de anfetaminas. Lembro que passei praticamente uma semana sem dormir. Cheguei ao consultório com olhos vidrados e muito irritada. Assustado, o médico me perguntou: "Porque não me procurou antes?".

Nesta foto, aos 43 anos, ao lado da minha querida amiga Francisca Aldunate. Eu já achava que estava obesa!


Mas do alto dos meus 19 anos (naquele tempo a gente era mais bobinha), eu achava que aquilo fosse normal.

A medicação me fazia tão mal que algum tempo depois eu desisti.


Aos vinte e tantos, novamente busquei ajuda médica. Tomei as fórmulas por pouco tempo porque eu nem conseguia engolir. Era como se meu organismo se recusasse a processar aquilo. Mudei os hábitos alimentares e aquilo funcionou.

Emagreci e mantive o peso por muito tempo. Meus amigos e amigas diziam que eu era linda. Mas eu não achava. Eu me via gordinha e "diferente", até gostava da imagem no espelho... porém não era o meu ideal. A briga com a balança me acompanhou durante toda a vida.

Por conta disso, eu JAMAIS comi pizza sem culpa. Jamais comi doce sem culpa... a culpa por gostar de comer coisas que achamos "gostosas" sempre me perseguiu.

Aos 44 anos, num Reveillon em São Luis do Purunã, com a amiga Mira Graçano e quando conheci a queridíssima Shelly (que reencontrei mais tarde ). Aqui eu estava bem acima do meu peso.


Estou contando tudo isso porque há alguns anos venho ganhando peso. Antes era lentamente. Mas, depois do meu tratamento contra o câncer de mama, já engordei 30 quilos!

Numa conversa franca, com um médico sério (Dr. Rodrigo Strobel) - no próximo post vou falar mais sobre ele - eu descobri que: aquelas drogas que usei antes dos meus 30 anos, têm grande parcela de culpa sobre minha dificuldade em emagrecer ao longo da vida adulta e, principalmente, hoje, na menopausa, tomando bloqueador hormonal...

Nesta foto, dias antes de encontrar o nódulo na mama, últimos dias de outubro de 2016, eu com 45 anos. com minha família, compadres e afilhados (amoooo). Estava gordinha...


Quero contar também que a frase que mais escutei na vida foi: "Van, você come pouco, menos do que eu"...


Obesidade não é brincadeira, gente! Obesidade não é só uma questão estética. Atualmente sabemos que a obesidade está relacionada como causa de câncer. Sem contar diabetes, problemas cardiológicos, digestivos e outras tantas doenças que nem conheço.


No próximo post vou tentar reproduzir as explicações que o Dr. Rodrigo me deu e, aos poucos, vou contando o que decidi fazer a respeito.





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