Dias Turbulentos - COVID_19 em casa

Sim, nós nos cuidamos! Sim, nós tivemos de sair!  Sim, o risco é grande! E, finalmente, sim acontece dentro da casa da gente. O pior de tudo é que, mesmo sem querer, podemos sair contaminando outras pessoas por aí.

Pois bem, mais uma vez sou estatística. Desta vez, de COVID!

 

Saí de casa por dois motivos nos últimos três meses ( além das idas ao supermercados, porque essas são inevitáveis). Saí para ajudar na campanha de produção de máscaras para população carene e para hospitais. Porém, tomei todos os cuidados e não fui contaminada.

Também saí por conta do internamento da minha mãe e da necessidade de ficar com ela. Eu e minha irmã, ao longo de  mais de um mês, frequentamos consultórios médicos, emergências e três hospitais diferentes. Por sorte, tivemos a ajuda da minha cunhada que nos substituiu em algumas momentos!

Quando minha mãe teve alta, depois do último internamento, juro que pensei: Ufa, agora ela vai ser chamada para a cirurgia e em poucos dias tudo vai voltar ao normal. DetalheL minha mãe teve alta numa quarta-feira.

Eu, minha irmã e minha cunhada passamos a nos alternar ajudando meus pais com a comidinha da minha mãe, atendendo no que fosse preciso e fazendo companhia também. 

Mas, no sábado (seguinte à alta), minha irmã começou a passar mal. Sintomas de gripe. Imediatamente ela se isolou e fez contato com aquele telefone da prefeitura que tira dúvidas sobre COVID. O estado dela foi piorando a cada dia. Mal conseguia falar ao telefone porque as crises de tosse logo interrompiam a conversa. Dores fortíssimas, um cansaço absurdo, dificuldade para respirar.

Poucos dias depois, a filha da paciente que estava ao lado da minha mãe no hospital, me avisou que a mãezinha dela tinha sido internada com dificuldade respiratória por suspeita de COVID.

Passei a semana preocupada e indo atender minha mãe que apresentava melhora num dia e piora no outro. No sábado seguinte, quem ficou com ela foi meu filho e a namorada. 

No domingo tínhamos uma atividade solidária, por isso não iria vê-la. E assim fizemos... eu, meu marido e meu filho mais velho passamos o domingo viajando de barco com outros voluntários e entregando cestas básicas a ilhéus de comunidades distantes do nosso litoral. Todos de máscara, álcool spray em punho e tentando fazer toda a atividade da maneira mais segura possível.

Eis que, na segunda-feira, acordei com dor de cabeça, coriza, a garganta "arranhando"... uma dor abdominal estranha... 

Avisei meu marido que estava preocupada, que faria o teste para COVID ( aquele do nariz, que não é agradável e que se for possível se proteger e evitá-lo, muito melhor). Também já me isolei. Coincidentemente, no mesmo dia, saiu o resultado do teste da minha irmã ( este demorou, viu?). Positivo!

Meus sintomas naquele dia pioraram um pouco, evoluíram pra diarreia e a dor de cabeça piorou muito. Transpirei e tossi um pouco durante a noite que foi agitada. Acordei com leve mal estar no dia seguinte, mas com muita dor abdominal. Confesso que a insegurança e o medo de ter transmitido a doença pra alguém foi muito pior do que qualquer sintoma. E a preocupação com meus pais, afinal, eu estive por dias dentro da casa deles. Sim, usei máscara a maior parte do tempo. Mas, sei que em alguns poucos e perigosos momentos eu abaixei a máscara...

 

Eu e minha irmã não nos víamos há mais de 14 dias quando tive os primeiros sintomas. Nosso último encontro foi na troca de plantão no hospital onde minha mãe estava, numa segunda pela manhã. Os sintomas dela começaram uns 10 dias antes dos meus. A última vez que fui ao hospital tinha sido exatamente 14 dias antes dos sintomas. A probabilidade de eu estar com COVID parecia tão distante...

 

Na quarta-feira, saiu o meu resultado e, infelizmente, foi positivo.

Meu Deus! liguei pra todas as pessoas com as quais tive contato no domingo. Eles precisavam ficar sob observação e talvez em isolamento. Mesmo com a probabilidade baixa de contágio, por termos nos mantido usando as máscaras e ao ar livre, todos precisavam saber.

Logo depois da confirmação de que eu estava com coronavírus, minha irmã precisou passar um dia internada, usando máscara de oxigênio. Esqueci de comentar que o marido também foi contaminado. Ficaram os dois isolados, tiveram de dormir em quartos separados e enfrentaram dias muito difíceis sozinhos. 

A senhora que internou com suspeita de COVID ( cuja filha fez contato comigo) teve a doença confirmada e faleceu na última sexta-feira. Passou dias em coma induzido e faleceu sozinha no hospital, já que a família não podia ficar com ela. Não teve velório, o caixão na rápida cerimônia de despedida ficou fechado. Sei disso porque a filha dela me mandou os áudios com os boletins médicos e com a orientação a respeito dos procedimentos antes do enterro.

 

Hoje, uma semana depois da ação no litoral, fiz contato com todas pessoas que estiveram comigo e, Graças a Deus, todos estão bem! Meu marido e meu filho também estão bem. A namorada do meu filho vai testar na próxima quarta-feira.

Nossa, que peso tirei das minhas costas. Claro que só ficarei completamente tranquila ao fim dos 14 dias, mas o período mais provável de sintomas já passou. Agora as chances são menores.

 

Algumas pessoas me perguntaram, mas você não se cuidou? Claro que me cuidei! Tirava a roupa  na lavanderia sempre que chegava do hospital, não tocava em nada e ia direto para o banho. Os sapatos nunca mais entraram em casa, tudo que chega aqui é lavados e desinfetado...

Posso ter passado a mãos nos olhos, no nariz, sem perceber. Quem sabe tenha esquecido de desinfetar os óculos em algum momento...

Por sorte estou bem. Nem levo em consideração os sintomas que tive e que talvez venha a ter. Mas, eu poderia ter passado pelo que minha irmã passou ou o que a senhora que mencionei passou.

 

Por isso quero pedir, especialmente aos mais jovens, cuidado! É sério! A gente pode carregar essa doença e transmitir para os outros sem ter sintomas. Sem ter ideia de que carrega esse vírus que está matando pessoas amadas por seus familiares como a senhorinha que contei aqui.  Fiquem em casa o máximo possível. Usem as máscaras no lugar certo. Lavem as mãos de verdade. Cuidado ao fazer ou receber pagamentos e entregas de produtos. Não vão se reunir com os amigos, nem em grupos pequenos. Não compartilhem copos, garrafas, petiscos ou talheres! Beijar na boca de uma gatinha nova no pedaço ou um gatinho novo... é muito arriscado!

Assim se contaminou a filha de uma amiga. Assim como eu, a menina de 19 anos, está confinada no quarto, além dos sintomas que já teve e que não foram nada agradáveis.

 

Um dia um médico me mostrou uma frase que dizia mais ou menos o seguinte: "um paciente não é só um paciente, ele é o amor de alguém"! Eu digo pra você que está lendo: a pessoa que você encontra no supermercado, no restaurante ou no parque, não é só mais uma pessoa, ela é o amor de alguém! Assim como você!

Então, cuide-se e cuide dos amores que cruzam seu caminho!

 

 

 

 

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