O que um sorriso não revela

A risada sempre foi alta e longa, daquelas que nos divertem mesmo que não saibamos o motivo. O sorriso largo, mostrando aquela carreira de dentes branquinhos, nos convidando a devolver a simpatia... acho que assim posso descrever a Dani Araújo.

Como a conheci? não sei muito bem, mas sei que os primeiros contatos foram pelas mídias sociais. Junto com ela, conheci a Edna Ramos. As duas eram inseparáveis.


Quando conheci, a Dani já tinha vencido o segundo câncer de mama. Mas ficou com ossos frágeis e problemas na coluna, precisando colocar pinos para melhorar sua condição e diminuir as dores. Lembro até hoje que na madrugada logo depois da cirurgia de coluna, ela me mandou mensagem dizendo estar apavorada porque não conseguia ficar em pé. Eu procurei tranqüilizá-la, mas não imaginava que esta seria sua nova condição.

Sim, desde então ela ficou dependente de uma cadeira de rodas. Mais ou menos um ano depois, veio a rejeição aos pinos. Nova cirurgia, dessa vez para a retirada das peças. Ainda esperançosa de voltar a andar, a Dani sofreu outro revés. O corte desta última cirurgia não cicatrizava. Foi assim que passou a conviver, pelos últimos anos, com uma ferida aberta .

Na foto, a Edna e a Cida das Amigas da Mama com a Dani, em frente ao Teatro Guaíra!


Por várias vezes a Dani nos confessou estar cansada de viver. Ela nos preocupava por isso; pela depressão persistente; pelo emagrecimento que ultrapassou os 40 quilos. Digo nos preocupava porque além da Edna, sua amiga-irmã, a Dani tinha o apoio das professoras que por anos foram suas colegas de trabalho em Colombo, e de tantas outras amigas que fez na Associação das Amigas da Mama, como a Josi, a Gladys e a Cida Maria...


Mãe de dois rapazes, viu um dos meninos escolher o caminho profissional da saúde, a enfermagem. Isso a deixava muito orgulhosa! Ele fez essa escolha, muito provavelmente, influenciado pelos tratamentos da mãe. Completamente apaixonada pelos filhos, jamais era capaz de reclamar de um deles. Certa vez, ela me contou que dividiu com eles uma caixa de chocolate na Páscoa. E que aquilo, foi para ela a maior alegria. Estarem juntos, os três, dividindo a doçura do momento.

Se existiam situações menos doces, ela jamais me contou.


A montanha russa de sentimentos dessa mulher, diante do quadro que a vida a colocou, realmente era preocupante. As risadas foram ficando menos frequentes, o sorriso mais raro... a doença foi se agravando, o corpo ficando mais fraco e menos capaz de responder aos tratamentos. Tentei falar com ela no fim de semana anterior, mas ela não atendeu minha ligação... já estava na UTI. Na semana passada, recebi a mensagem da Edna informando que a Dani não tinha resistido. Desde então, queria escrever, mas não sabia exatamente como seria.



na foto, Eu, Josi e Dani!



Meu relato aqui é por alguém que enfrentou dificuldades reais. Tentou ao máximo manter a alegria de viver, mesmo quando não aceitava as condições que a mesma vida lhe impôs. Acho que é mais do que uma homenagem. É um exemplo para que possamos olhar para nossos próprios desafios e vejamos se eles são tão grande quanto imaginamos ou se estamos olhando pra eles de uma posição equivocada, permitindo que pareçam maiores do que realmente são.


Obrigada Dani, por cada abraço, cada risada, cada sorriso! Guardaremos você pra sempre em nossos corações!





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