Paliativo com muita vida, sim!

Estamos terminando o Outubro Rosa e hoje trago uma história sobre a vida de uma mulher depois do câncer de mama (2010). Sobre a metástase(2012) e sobre como passou a conviver com o câncer desde então.


Tenho algumas amigas que fazem tratamentos chamados "paliativos". O que isso quer dizer? Bem, talvez há alguns anos o "paliativo" significaria apenas a tentativa de dar conforto ao paciente que estava vendo a doença progredir, em final de vida, sem que a medicina pudesse fazer algo contra isso.

Porém, com a evolução da ciência, para muitos pacientes essa palavra tem outro significado. Quem sabe, em breve, troquem para doença"crônica", "tratamento contínuo"... como sugeriu minha grande amiga, a jornalista, Cassiana Pizzaia?


Depois de uma troca de mensagens com a Maria Laisa Sampaio, que também vai contar a história dela aqui, decidi que este espaço precisava tratar mais deste tema! Por intermédio da Maria Laisa, inclusive, fiz contato com uma paciente "paliativa". A mesma que citei no início do post. Pedi que escrevesse sobre a história dela e, agora, trago para vocês.

Leiam até o fim porque vale muito à pena!

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"Meu nome é Louise, tenho 45 anos e moro em Curitiba.


Neste mês de Outubro fiz aniversário de 10 anos de tratamento de câncer de mama, que passou a ser metastático em 2012. Tem sido um período difícil e sem garantias mas que tem me proporcionado tempo e qualidade de vida.


Quando comento isso com as pessoas, alguns dizem que tive "azar"... outros, que foi "sorte"...


Bom, na MINHA opinião de paciente, fui ABENÇOADA pois tenho pilares que me dão a oportunidade de me manter vivendo bem, apesar do câncer (minha vontade de viver, suporte familiar e assistência médica).


A “cultura de sucesso” que existe na CURA do Câncer fica ainda mais evidente no Outubro Rosa. Já fui rejeitada por campanhas rasas e fúteis que consideraram a minha historia triste e que não se encaixava na proposta de encorajamento das pacientes.


Pacientes metastáticas normalmente são colocadas de escanteio, escondidas, como aquelas que "perderam para a doença", pois ela passa a ser incurável e normalmente são também associadas à ideia de “fracasso”.



Entretanto, todos estes anos de tratamento me mostraram que o CONTROLE da doença também nos proporciona muitas oportunidades, de viver o que se sonha e de superar desafios. Então, aprendi que a CURA vai muito além da biologia do ser humano… ela engloba os aspectos familiares, as relações humanas, a espiritualidade, a paz com a morte… e estas outras curas são tão importantes quanto a cura médica.

Lógico que eu gostaria de um dia acordar livre do câncer mas, HOJE isto ainda não é cientificamente possível e também não é mais o que me motiva. 


Deixar a vida em suspenso, esperando um resultado de exame que te ateste "curada" (que pode nunca chegar), é uma baita perda de tempo. Esperar por algo tão difícil e deixar de viver os momentos preciosos que se passam ao seu redor pode ser tão prejudicial quanto o câncer.

Convivo com as várias dimensões de problemas que uma doença grave traz diariamente mas celebrar a Vida, independentemente se estou ou não em tratamento, é o que me faz ter esperança e gratidão todos os dias. Posso ser um “fracasso da Medicina” para alguns mas, na minha opinião, sou “muito bem sucedida na VIDA”. E isto me basta".


Louise Liu Vargas de Oliveira

Curitiba, 28/10/2020 --------------------------------


O que mais posso dizer a Louise senão, muito obrigada por dividir sua história conosco. E também sobre essa história de "vencer" como sinônimo de cura. Diz isso quem não enfrentou um câncer e não sabe que todos os pacientes são vencedores, única e exclusivamente por acordar pela manhã, por um dia ou por 20 anos, apesar do diagnóstico de uma doença grave querer condená-los. E, principalmente, por saberem valorizar cada minuto desses dias!


Obrigada Louise! Você, me inspira e fortalece!





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